A tua piscina tá cheia de ratos

A tua piscina tá cheia de ratos

Enquanto as pessoas de bem lutam por dignidade, os verdadeiros donos da caneta vivem em um banquete de privilégios. 

Essa frase, imortalizada na canção de Cazuza, continua ecoando décadas depois porque traduz uma realidade que não muda: o luxo de poucos é sustentado pela miséria de muitos. 

A piscina, símbolo de ostentação, deveria transbordar de justiça, mas o que vemos é corrupção, conchavos e privilégios encharcados de sujeira moral. 

Dentro dessas paredes frias do poder, engravatados se reúnem como se fossem representantes do povo, mas, na prática, são apenas guardiões dos próprios interesses. 

O palco do Congresso Nacional se transforma em um grande teatro, onde as falas são ensaiadas, as promessas são esquecidas e a plateia, (o povo) é enganada repetidas vezes. 

Os ratos dessa piscina não têm pressa. Sabem nadar bem em águas turvas. Alimentam-se de silêncio, de omissão, de votos comprados, de esperanças esmagadas. 

Enquanto isso, lá fora, o trabalhador luta para pagar contas, sobreviver ao preço do pão e não perder a dignidade em um país onde a política deveria ser solução, mas se tornou parte do problema. 

A grande ironia é que, embora a música diga que o tempo não para, parece que a história insiste em se repetir. Corrupção, escândalos, enriquecimento ilícito e a eterna distância entre governantes e governados. 

Um ciclo que só muda de personagens, mas mantém o mesmo roteiro. 

Essa imagem é o retrato perfeito: um mar de ternos e gravatas em um espaço que deveria simbolizar democracia, mas que mais se parece com um aquário cheio de ratos. 

A pergunta que fica é: até quando vamos assistir a esse espetáculo em silêncio? 

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