A casa, a primeira escola de ciência política

Uma sociedade que foi educada para chamar qualquer necessidade de direito será presa fácil para qualquer líder que, justamente, se ofereça para satisfazer esses caprichos.

A casa, a primeira escola de ciência política

Uma das grandes fraquezas, que certamente facilita o trabalho dos ditadores populistas, é o desdém que muitas pessoas sentem pela política — e não me refiro ao ativismo, mas simplesmente à formação e ao estudo desses assuntos.

Vários dos meus alunos me disseram que seus pais até os proibiam de ler e discutir política em seus lares. Essa atitude responde, de certa forma, a uma ideia muito difundida na sociedade brasileira: política é coisa suja, não se meta nela.

Considerar a política como algo sujo é o primeiro passo para a tirania. A atitude de "não confio em ninguém porque todos os políticos são iguais" também não ajuda, pois é uma mera demonstração de ignorância. A coisa certa a fazer é estudar o assunto, discuti-lo e tomar partido. O destino do Brasil, Venezuela, Cuba e Bolívia não teria sido diferente se as populações tivessem votado de forma informada na época?

Acontece que o modelo educacional, os impostos, os investimentos, o comércio exterior, as relações internacionais e a segurança nacional são questões vitais para o desenvolvimento e progresso das nações; São questões que têm a ver com a esfera política. 

Portanto, a política não é suja, ela é a ciência que estuda a administração dos negócios públicos. 

A partir desta conceituação podemos reconhecer a política como uma atividade que nos reafirma como cidadãos, que nos compromete com o bem público, com o bem comum; Por isso, deve estar imbuída de uma ética humanística, de serviço ao próximo, ao semelhante.

O lar deve ser sempre o primeiro lugar onde as crianças e adolescentes aprendem sobre política, pois é, por natureza, onde são construídos os valores que nortearão a próxima geração de cidadãos. As virtudes da prudência, justiça, fortaleza e temperança devem ser praticadas tanto na vida privada quanto na pública.

Além disso, se o lar não for o principal centro de aprendizagem política, então a escola será, e acredite, lá as crianças receberão doutrinação feroz sobre tópicos como socialismo, ideologia de gênero, aborto e feminismo. A este respeito, Richard Weaver, no seu ensaio Visions of Order: The Cultural Crisis of Our Time, explica:

Sob a premissa de que "a educação dos sentimentos é mais importante que a educação intelectual", o sistema educacional moderno ensinou aos jovens estudantes que eles podem conseguir o que querem por meio de reclamações e demandas coletivas. Ao final da escola, os alunos não estão preparados para enfrentar a vida, mas estão preparados para buscar utopias. Em última análise, esta sociedade é como uma criança mimada em sua incapacidade de pensar. Portanto, uma decisão importante que o Ocidente enfrentará no futuro é como superar a psicologia infantil mimada o suficiente para se disciplinar para lutar.

Por sua vez, Agustín Laje, em seu livro: Geração de Idiotas , destaca:

"A nova forma de despotismo político acha conveniente deter para sempre o indivíduo em estágios infantis de seu desenvolvimento. Para isso, o poder deve ser mais gentil do que disciplinador: mais do que comandar, o poder deve trazer alegria. Essa é a única maneira de fazer com que o cidadão deseje sua própria infantilização e nunca queira sair dela. Portanto, a figura do pai é inadequada como metáfora, uma vez que sua disciplina e ordem têm um prazo de validade próximo, e a eficácia de seu papel gira em torno disso. O Estado, que se tornou babá, regulando e supervisionando a vida de seus súditos até o fim, ditando e distribuindo 'direitos', funciona melhor."

Então, se seus filhos não o veem como uma figura respeitável, mas sim como um velho antiquado, a culpa é, em parte, sua. Da mesma forma, uma sociedade que foi educada para chamar toda necessidade de direito será presa fácil para qualquer líder que, justamente, se ofereça para satisfazer esses caprichos. Concluindo, o preço de ignorar a política é ser governado pelos piores elementos de uma sociedade, e meu Brasil natal está vivenciando isso em primeira mão.

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Com informações de H. M. Balderrama.